"O mundo é formado não apenas pelo que já existe, mas pelo que pode efetivamente existir." Milton Santos - Geógrafo..
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quinta-feira, 24 de março de 2011

OTAN

Saiba o que é a Otan

Organização do Tratado do Atlântico Norte reúne 28 países.
Ela vai assumir o comando da zona de exclusão aérea sobre a Líbia.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deve assumir o controle da zona de exclusão aérea sobre a Líbia de Kadhafi, informou nesta quinta-feira (24) seu secretário-geral, Anders Fogh Rasmussen.
A Otan é uma organização militar comum de defesa, contando, atualmente, com 28 países-membros.
Ela foi criada por um tratado assinado no dia 4 de abril de 1949 em Washington.
A organização tinha como objetivo inicial servir de proteção contra a ameaça soviética e é baseada no princípio da solidariedade mútua entre seus membros. Hoje, o próprio presidente russo, Dimitri Medvedev, participa da reunião de cúpula.
Sede da Otan, em Bruxelas, em foto de 7 de abril de 2009 (Foto: AP) 
Sede da Otan, na Bélgica, em foto de 7 de abril de 2009 (Foto: AP)

A seus 12 fundadores (Estados Unidos, Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Reino Unido, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Holanda, Portugal), se somaram, com os anos, sete países: Grécia, Turquia, Alemanha, Espanha, Polônia, Hungria e República Tcheca.
Em março de 2004, uma segunda leva de sete países chegou à aliança: Lituânia, Estônia, Letônia, Eslováquia, Eslovênia, Bulgária e Romênia.
Dois outros países, Albânia e Croácia, entram no clube na cúpula do 60º aniversário da Otan, em 2009.
O artigo 5 do tratado da Otan constitui a espinha dorsal da organização. Ele estipula que qualquer ataque contra um dos países membros será considerado um ataque contra todos.
Pela primeira vez desde a criação da Otan, os aliados invocaram este artigo em 2001 para marcar seu apoio aos Estados Unidos no dia seguinte aos atentados terroristas de 11 de setembro.
A sede da Otan foi primeiro em Londres, depois em Paris, e enfim em Bruxelas desde 1966. Seu comando militar (SHAPE) está situado em Mons (Bélgica).
O órgão principal de decisão da Otan é o Conselho do Atlântico Norte, no setor político.
A França, que é um membro fundador da Otan, retirou-se da estrutura militar de comando em 1966, em seguida a uma decisão do general Charles de Gaulle, mas anunciou sua volta em 2008 e a concretizou em 2009.

Mapa mostra os integrantes da aliança. 
Mapa mostra os integrantes da aliança. (Foto: Arte G1)
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/03/saiba-o-que-e-otan.html

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

LÍBIA

Crise na Líbia tem potencial de desestabilizar economia global
 
Na condição de 12º maior exportador de petróleo do mundo, a Líbia tem potencial de desestabilizar a economia global, se os protestos antigoverno que terminaram em violência interromperem o fornecimento do produto.
Desde que a suspensão das sanções impostas pela ONU e pelos EUA puseram fim ao status de pária do Estado líbio, investidores estrangeiros voltaram em bando ao país, ao longo dos últimos cinco anos - incluindo grandes petroleiras como a BP e a Exxon Mobil.
Mas a BP, por exemplo, está tão preocupada com a crise atual que está planejando retirar funcionários do país.
A empresa, que emprega 40 estrangeiros na Líbia, pretende retirar familiares de empregados e funcionários considerados não essenciais ao longo dos dois próximos dias.
A BP assinou um contrato com a Corporação de Investimento da Líbia, em 2007, para explorar duas áreas, uma envolvendo perfuração em águas profundas na Bacia de Sirte, no Mar Mediterrâneo, e outra no deserto no oeste do país.
Apesar de as operações da BP ainda não terem levado à produção real de petróleo no local, a Bacia de Sirte é responsável pela maior parte da produção no país. O local contem cerca de 80% das reservas comprovadas de petróleo líbias, que chegam a 44 bilhões de barris - as maiores da África.
A Líbia também se beneficia por ter o tipo de petróleo cru leve que negociadores internacionais gostam, com pouco enxofre e uma gravidade específica que torna o produto ideal para transformação em gasolina e diesel.
E como apenas um quarto do vasto e pouco populoso território do país foi explorado, há muito para animar a indústria.
Mais da metade do PIB da Líbia vem dos setores de petróleo e gás natural, que respondem por mais de 95% das exportações do país, de acordo com o Banco Mundial.
Antes de a crise começar, a economia do país passava por um boom. O Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita que a Líbia tenha crescido 10,6% ano passado, e que venha a crescer cerca de 6,2% em 2011.
Mas uma das principais razões por trás dos protestos é que essa enorme riqueza não está passando para as mãos da população.
De acordo com algumas estimativas, cerca de um terço dos líbios vive na pobreza. Não é incomum no país que as pessoas tenham dois empregos - devido aos baixos salários - apesar de cidadãos terem direito a sistema de saúde e outros benefícios de forma gratuita.
Desde que a Líbia retornou ao cenário dos negócios internacionais - após pagar indenização para as vítimas do atentado contra um avião que caiu em Lockerbie, em 1988 - as expectativas cresceram entre a população. Muitos pensavam que o fim do isolamento significaria aumento da qualidade de vida. Até agora, a espera foi em vão.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Visita de Lula a Israel


Visita de Lula a Israel

Pe. José Oscar Beozzo *

A Folha ofereceu neste domingo duas entrevistas a respeito da conturbada situação em Israel e nos territórios por ele ocupados: uma com Dorit Shavit, diretora para a América Latina do Ministério das Relações Exteriores de Israel e outra com Nabil Shaath, que foi o primeiro chancelar da Autoridade Nacional Palestina (ANP). Dorit Shavit disse que alertaria Lula de que o Irã desenvolve "não só um programa nuclear, mas armas atômicas" e que "se obtiverem armas atômicas, ameaçarão todo o Oriente Médio e o mundo, porque terá início uma corrida armamentista regional".
Não ocorreu à Folha perguntar à Dorit Shavit se as armas atômicas que Israel desenvolveu e introduziu no Oriente Médio (segundo especialistas Israel teria cerca de 300 ogivas nucleares operacionais) não constituem nenhuma ameaça aos seus vizinhos, nem estão provocando corrida armamentista regional?
Não ocorreu também à Folha perguntar a Dorit Shavit por que Israel não é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear ratificado por 187 países em todo o mundo, inclusive o Irã? Não ocorreu igualmente ao repórter da Folha perguntar por que não aceita Israel que suas instalações nucleares de Dimona no deserto do Neguev sejam inspecionadas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)? Nem por que o Conselho de Segurança da ONU jamais ameaça Israel, por não submeter seu programa nuclear à inspeção internacional?  A AIEA inspeciona regularmente as instalações do Irã!
A entrevista parece mais  um "press-release" do Ministério das Relações Exteriores de Israel do que a pauta de um jornal interessado em esclarecer seus leitores acerca do complexo jogo de interesses e de poder no Oriente Médio.
Esclareço que sou formalmente contra o desenvolvimento de armas nucleares por parte do Irã, como por parte de Israel, Estados Unidos, Rússia, Grã Bretanha, França, China, Índia, Paquistão, Coréia do Norte ou qualquer outro país e não apenas contra esse procedimento por parte do Irã ou da Coréia do Norte, que monopolizam hipocritamente a execração por parte dos países que desenvolveram armas nucleares, seguidos em sua posição por boa parte da mídia, como se viu na reportagem da Folha de São Paulo.

* Coordenador geral do Cesep (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular). Vigário da Paróquia São Benedito em Lins. Membro e ex-presidente do Cehila (Comissão de Estudos da História da Igreja no Brasil e na América Latina).